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21 de Junho de 2021

Eu não sou advogado!

Dr. Bonetto, Advogado
Publicado por Dr. Bonetto
há 9 meses

Hoje, depois de correr dez quilômetros fugindo da chuva, cheguei em casa e fui tomar um belo banho quente.

Logo no início do banho me veio um insight. Pra variar, as ideias sempre vem nos piores momentos. Não costumo levar papel e caneta para o chuveiro. Deveria!

Em algum momento do meu dia, li que as fontes com serifa passam uma ideia de credibilidade e que são muito utilizadas por Advogados. Foi como um estalo.

Me dei conta — odeio usar dei-me, por mais que seja o correto — de que eu não gosto de usar fontes com serifa, assim como não gosto de usar "dei-me". E aí veio a reflexão sobre ser advogado.

Quando você pergunta a um advogado o que ele faz, geralmente ele responde que é advogado. Aí você questiona em que? E, via de regra, a resposta é algo do tipo a área de atuação. Ah, sou advogado empresarial. Atuo com direito do trabalho. Faço processo de consumidor. Direito financeiro.

Os mais descolados respondem que atuam com Compliance, Startups, Tecnologia, LGPD.

Quando alguém me pergunta o que eu faço, a resposta gira em torno de que ajudo empresários a organizarem seus negócios. Faço mapeamento de processos internos e externos. Ajudo na legalização dos processos, adequação ao nicho, identificação de gargalos, posicionamento perante o mercado.

Em resumo, ajudo as pessoas a não serem enroladas ou a se desenrolarem.

Quando você lê um texto em uma rede social ou blog redigido por advogado, data maxima venia, nota-se de longe.

Estes textos, geralmente são escritos por aí com fontes serifadas, pois dizem que passa mais credibilidade.

Quando eu escrevo um texto, busco ser o mais simples possível para que qualquer um entenda sem precisar de um dicionário como apoio.

Eu penso que a credibilidade se conquista com ações e não com letras. Acho muito feio fontes com serifa. E não uso, nem por decreto! Até já testei, mas não rola.

As imagens geralmente se resumem aos símbolos da balança e da Deusa Themis.

Balança, pra mim, só a da farmácia! E mesmo assim, quero distância. Deus, eu tenho um só, e nem imagino qual seria a sua imagem física!

As fotos de perfis eu acho massa. É aquele padrão Linkedin. Bracinho cruzado, meio de lado, olhar penetrante, com uma obra de arte ao fundo. Não julgo. Na verdade até rola uma inveja. Nunca consegui fazer essas fotos! Não tenho quadros de obras de arte.

Minha foto sou eu, de óculos Ray-Ban, touca na cabeça e um Beats falcatrua vermelho na orelha.

Respeito tudo e a todos. Entendo que os símbolos são da profissão. Esses são os padrões. Não culpo e nem julgo quem os usa. É um estereótipo criado. E funciona muito bem.

O culpado aqui sou eu. A culpa é minha de não se enquadrar nos padrões delimitados desde a época do Império. É um absurdo dissentir de uma cultura secular.

Eu sou advogado por profissão. Tenho um orgulho enorme da escolha que eu fiz! Modestamente, esforço-me para realizar um trabalho cada vez melhor. Meus clientes merecem. Eu mereço.

Nos dias de hoje, penso que não sou advogado. Nunca me tornei um advogado. Eu sou Eu, ponto. E, em determinados momentos do meu trabalho, tenho que atuar como advogado. Em especial naqueles momentos que a liturgia exige.

Em outros, estou multidisciplinar. E tenho que agir como tal. Estou programador. Estou criador de arte. Estou estrategista. Estou escritor. Estou professor.

Sou pai. Sou marido. Sou dono de casa. Sempre mantendo a simplicidade e a transparência. A essência do “eu sou”.

No mais, eu não sou um advogado. Sou o Henrique, que às vezes atua como Advogado!

51 Comentários

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Me identifico 100% contigo. Não sou fã dos saltos - só uso quando me dá vontade - sou adepta aos tênis e jeans, inclusive quando estou vestida de "advogada". Morro de preguiça do judiciário, do juridiquês e do juris (latim pra quê e o português é tão lindo?). Enfim, amo advogar, mas nem de longe me identifico como advogada. continuar lendo

Eu daria Control+C Control+V na sua resposta! Me dá até alívio ler que há pessoas assim como eu. Me sentia a estranha no ninho hahaha. continuar lendo

Já fui tachada de dra. do jeans ou do all star.. Adoro um allstar branco e velho. continuar lendo

Texto muito bem escrito e com colocações pertinentes, mas vamos ao outro lado: Qualquer pessoa, seja advogado, médico, simples escritor, deve entender seu público-alvo; se alguém irá escrever para leigos no assunto, é óbvio que a simplicidade dever imperar, no entanto, vejo que a simplificação demasiada, em textos cujo público-alvo são os acadêmicos em Direito, ou até mesmo aqueles que JÁ atuam na área, prejudica o conhecimento jurídico. Concordo com o Lenio Streck quando este diz que ao simplificarmos exageradamente assuntos jurídicos, caímos na maldição de não estarmos mais falando sobre aquilo que nos propusemos a tratar. continuar lendo

Baita texto, Henrique!

Por mais advogados que acreditam que a profissão não é um fim em si, mas um meio de contribuir com o mundo, promover soluções criativas e realizar sonhos pessoais com liberdade - com terno, sem terno, de touca ou cabelos compridos 😎 Haha!

Abraços! continuar lendo

Eu amei esse texto!

Acho que você e o @pedrocustodion estão na mesma vibe rs

Eu também não sou fã de imagens de balança, na verdade quando fizeram meu site com ela, eu pedi para tirarem imediatamente rs

Acho que realmente devem nos ver como resolvedores de problemas, afinal ESTAMOS advogados, mas resolver problemas sempre estará no nosso DNA.

Adorei seu artigo e a sua foto realmente é bem diferenciada kkk continuar lendo

Concordo totalmente. Não sei se na sua faculdade foi assim, mas a minha tinha todo uma aura de "endeusamento" que os alunos se banhavam, ao longo dos 5 anos. Difícil sair um ser humano comum depois disso.

Cada um tem seu papel na sociedade, somos tão importantes quanto lixeiros, costureiras, engenheiros, técnicos de informática, coveiros. Cada um tem seu papel.

E acredito que quanto mais entendermos isso, menos advogados frustrados existirão, para dar lugar a pessoas com propósito e, consequente retorno financeiro. continuar lendo